terça-feira, 25 de maio de 2021
segunda-feira, 26 de abril de 2021
AS ESCADARIAS DE MARIELLE FRANCO.
terça-feira, 16 de março de 2021
AULA SOBRE POESIA MARGINAL - POW LITERA RUA
segunda-feira, 15 de março de 2021
BUGADOS NO GLICÉRIO
terça-feira, 9 de março de 2021
O CAMINHO DO AMOR
O Caminho do Amor...
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021
2021 MOTIVOS PARA PENSAR O FEMININO
O tempo vai se perder
entre as suas dúvidas e as mais doidivanas certezas, não ter respostas para
perguntas simples me faz não verbalizar o que penso .
Refletir sobre o que penso
e sinto é um ato contínuo de existência, um gotejar de sinapses que se
distorcem entre sentir, equacionar e raciocinar sobre todo esse contingente de
situações.
Entender-se é um ato de
pertencer, se penso no que crio, no que vou professando como premissa de vida,
exerço o direito de ser uma mulher questionadora.
A mesmice dos dias, das
relações, das inúmeras maneiras que as mulheres são vistas dentro dos contextos
sócio econômicos me faz de tristes constatações.
O capital que é gerado por
um corpo feminino, nascido feminino, com as aspirações de uma maternidade, de
um tempo em que não havia a espera por outra situação que não fosse: azul ou
rosa.
No ano de 2021 as formas
humanas que se expressam no mundo primam por realização, por satisfação do
prazer, das necessidades que satisfaçam o ego.
Sexo frágil, sexo
infantilizado, corpo feminino reduzido ao machismo, ao corpo que tomba frente o
cansaço da luta por direitos conquistados mas ainda questionados.
Revolução feminina é
balela de se ler, entre solavancos de dor, de descaso, de violências diárias,
dessas miúdas que vamos nos acostumando a ouvir, a silenciar e em muitos
momentos acabamos por achar normal, é a vida, somos mulheres.
Servilismo, submissão,
posturas indignas de tantas mentes femininas que se posicionam diariamente como
trabalhadoras, como senhoras de um tempo chamado dinheiro.
Recebemos esmola, ganhamos
recompensas desde a infância, nos enfraquecem reduzindo nossos corpos a meros
objetos de distração, de beleza, de ter que...
Temos o quê?
Temos que fazer?
Temos que agradar?
Temos que ser?
A tua obrigação é a de
agradecer por ser mulher, sofrer com dores de cólica, ter que se fantasiar como
uma coquete, ter que ser bonita, atraente, sedutora, arrumada, cheirosa,
amante, doce, prestativa e no final do dia ainda : agradecer.
Sirva. Seja. Peça.
Obedeça.
Assim você será feliz.
Será?
Autora: Priscila de Fátima
Jerônimo
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021
CALE-SE DIANTE DO CAOS.
São Paulo, 08 de Fevereiro de 2021.
O SILÊNCIO ENTRE AS PAREDES DE UM TEMPLO
Autora Priscila de Fatima Jeronimo
Os lamentos que Preto Velho evoca, com sua dança festeira, seu cachimbo cheio de contos, de alegria e sabedoria, nos toca como o som que as mãos tão calejadas por um tempo de lágrimas vai se desaguando em uma cachoeira de amor.
O tempo da despedida, entre escombros de muitos tijolos, entre marretadas, os sonhos vão se descortinando entre risadas, cânticos, preces, velas, o fechamento de um Templo, de um Terreiro, de uma Casa Kardecista, tem me mostrado o quão desigual é esse mundo.
Em uma praça próximo ao bairro onde moro, sempre encontro estátuas que vão sendo entregues ao tempo, vejo Santos, imagens, terços, restos de uma fé que ao ser abordada pelo aspecto financeiro foi sendo o sabor amargo do despejo.
Em cada fim de história há um desfecho que em muitas visões são o fruto da contemporaniedade, o mercantilismo que onera os bolsos do adepto da Umbanda e do Candomblé, reduz a senzala a pobreza, ao povo de Santo cabe sempre o quarto de despejo que Maria Carolina de Jesus já dizia em seu diário.
A vela que hoje é desprezada, no passado foi o motivo e a causa de muitas curas, o cachimbo que hoje é razão de repreensão já foi benção nas mãos de uma Negra Nagô, o marafo tantas vezes chamado de alcolismo já embriagou e levou demandas de corpos que acreditaram e por este motivo sabem o valor deste elemento.
O valor monetário é um dos fatores que sempre é elencado como motivo de ironia entre os adeptos da Umbanda e do Candomblé, em nossa religião, sempre temos esse ranço - a obrigação de servir e ainda se mostrar grato por esta "oportunidade", a senzala se mostra neste termos que essa Sociedade branca vai moldando os motivos de tanta ironia.
Quando Cristo esteve neste Planeta, em suas falas que se tornaram motivo de fomentação de um novo olhar, o humano encarava aquele ser, como um desordeiro que vivia ébrio e andava com alguns pescadores pobres e cheio de ignorância, entre a desigualdade de valores que os Comerciantes ostentavam, os miseravéis lambiam a fome de uma Ave que não fosse romana.
As portas se fecham em um claro movimento de repressão em que tudo o que for gerado como um movimento de preservação de uma cultura gerada por anos de resistência, por um legado em que os tambores sejam motivo de festa e de alegria, entre o rasgar do tambor, o silenciar da música, o calar das Mães de Santo se faz de lamento.
Em um movimento de buscar novas formas de manter acessa a fé, a Umbanda e o Candomblé começaram a encontrar maneiras mais tecnologicas para prosseguir diante dos novos ditames desse ano de 2020.2021.
Em cada Axé que o capital foi fechando, finalizando, modificando, em um tempo espaço de afeto e memória desestruturando todo a comunidade do entorno, onde havia um espaço de busca espiritual, de formação política, de formação feminista, restou um vácuo, um vazio.
A Deusa do silêncio se faz de um grito emudecido, uma mordaça que a sociedade foi tecendo em torno do Sagrado, uma venda colocada de propósito enaltecendo o patriarcal como estrutura de um cifrão qualquer.
Venderam nossos tambores e não nos pagaram, nos deram o calote no cale-se quem puder.
Brasil.
quinta-feira, 15 de outubro de 2020
Desdém
Um desdém brota de meu peito como uma fenda que sangra, por onde passa destilo essa dor, num eterno lamento, em uma confusão que ainda demoro a digerir.
O amor é um sopro de um desejo que incendeia o corpo e enlouquece o querer, almejar um ser humano como um doce, uma satisfação para o ego.
É egoísmo desejar algo como quem deseja água para matar a sede, é insano o desejo aguado, reprisado, ressequido, preterido, indesejado, amaldiçoado, ridicularizado, jocoso, desdenhoso, é puro desequilíbrio, mas é.
Tem sentimentos que não temos como mensurar, como medir em uma métrica o farfalhar de um coração apaixonado ?
Como perdoar o que nos foi tirado como mulher ?
Como perdoar o desdém e o sarcasmo que um homem direciona ao querer de uma alma feminina ?
Como perdoar?
Como deixar que o tempo cure se a ferida se abre a cada dia como uma chaga pulsando sangue, pus e dor ?
O cérebro racional diz: eu perdoou, mas o corpo diz: não, eu não perdoou, meu corpo sentiu, meu coração acelerou, minha boca ressecada ficou, meus hormônios acordaram, minha pupila dilatou, todos as sinapses do meu corpo, mas as dicotomias de dentro de minha psiquê se revoltaram em uma corrida contra o tempo, uma louca e desenfreada busca por um sorriso, um respeito, um aceno, um pedido de desculpas, mas não.
A capa de bondade para mim é puro teatro, a aura de humildade, de doçura, de superioridade intelectual, de supremacia entre os jocosos movimentos da realidade me mostram a real: um simples cifrão e a nota seria outra.
E eu? Vou somando em meu caldeirão, fervendo minha mágoa, minha dor de cotovelo, minha insanidade, minha imaturidade e aceno para a minha incapacidade de lidar com meus próprios medos, minhas inseguranças que vão crescendo com o passar do tempo.
Descascando minhas neuras, minhas incertezas e meus mais pesados sentimentos, o ato de dizer me consola e minha pena vai tecendo um bordado de dor, de sofrimento e de traumas.
Cansada de dizer e não ser ouvida, cansada de amar e não ser correspondida, a idade vai trazendo a maturidade de um corpo que chora, que lamenta e que canta.
Enquanto o tempo vai maturando minhas dores, o sal vai lambendo minha pele, minhas células, minha alma.
E assim sigo.
Autora: Priscila de Fátima Jerônimo
domingo, 13 de setembro de 2020
ESCREVA
Quando penso nas manhãs de sábado, dou risada das mais loucas tentativas de dizer.
Quando penso na saudade dolorida que sinto das deliciosas manhãs de sábado, penso em chorar.
E choro.
Você cavou fundo uma cova em mim
Você cavou fundo uma cova dentro de mim
Você cravou fundo uma estaca em meu coração
Conseguiu matar a doçura de um bem querer e transformar em amargura, em tristeza, em lamento, um desfecho triste, pesaroso e pouco digno do que eu sou.
Enquanto estive olhando para o infinito mar de alegrias, tuas risadas de sarcasmo e desdém foram poluindo meu límpido mar, nas tessituras de uma alma romântica e sonhadora, havia amor, clareza e bondade, aos poucos fui rompendo a casca de ovo que fui gerando em torno de ti, e as máscaras foram rompendo o ideal de que o humano que te habita seria generoso comigo, as circunstância foram encaixando os tempos e num acaso que em nada foi satisfatório, os dias se transformaram em uma ampulheta, marcando o tempo.
O tempo
Esse gotejar de dias, de horas, de minutos, de segundos, um arrastar de sensações, de percepções, de aprendizados que vão se acumulando, aos poucos efetivar a lei do vácuo é esvaziar-se dos lixos mentais que vamos guardando como carta coringa para então em um momento de desequilíbrio jogar no universo tudo o que vamos deixando criar mofo dentro de nosso corpo.
O Corpo
Corpo que é resultado do que pensamos, corpo que se mostra nos detalhes do movimento, o corpo é um falador de nossas emoções, as paredes internas do que ingerimos, do que vamos consumindo, do que vamos sentindo e criando geram padrões pensamentos que se organizam para determinar o que somos.
A única experiência que ressalto de todos esses relacionamentos que foi elencando é a vivência que isso gera, elos amorosos, elos afetivos, elos espirituais, corrente de vida que se conectam pelo objetivo de vida, defender um conjunto de ideais faz dos grupos um real encontro.
As pessoas se irmanam através do que acreditam, em âmbitos profissionais, espirituais, religiosos e amorosos, as diversas pessoas que vamos conhecendo nos dão a certeza de que com alguns temos afinidades, de pensamentos, de atos, de ideologias, em outros casos temos a real noção de antagonistas, seres que entram em nossa vida somente para que aprendamos algo com elas e simplesmente se tornam indignos até mesmo da lembrança.
Só existe memória afetiva para aqueles que tiveram uma importância significativa, quem não soma deve sumir em todos os âmbitos.
Vampiros de vida são assim, não costuma trazer nada que se aproveite para a realidade, buscam nas satisfações do gozo existencial rir e diminuir a importância da cronologia das relações.
Um relação que perdure por mais de uma década deve ter sempre o respeito, amar alguém no passado, perdoar e ainda assim mantê-la viva em nossa alma diz muito do amar que norteia os desejos.
O ato de amar vai além das relações cotidianas, amamos por desejo forte de superar o mundano, amamos pois fomos catequizados para amar, para perdoar e acima de tudo aceitar.
Amamos pois amar é o que nos foi ensinado, que acima de tudo devemos considerar o outro mais importante que nós mesmo, se te ferirem ofereça a outra face, balela.
Quem quer ser ferido, usado, descartado fica nessa falsa modéstia do que isso caracteriza como caridade, não costumo quantificar o amor, mas a ofensa da maioria das pessoas está nesse pensamento católico-cristão de que temos a obrigação de aturar a falta de respeito do outro.
Não aceito a verdade do outro, assim como não faço questão de ser verdade e nem razão para ninguém, o que professo como experiência de vida serve de base empírica para a minha evolução.
Costumo dizer que sou responsável pelo que digo não pelo que você que me lê consegue compreender, a inteligência mediana das pessoas que não estão acostumadas a escrever geralmente gira em torno da dificuldade em processar seu pensamento em palavras, as pessoas tem essa mania de conseguir verbalizar, de oralizar, mas ao tentar expor isso em palavras textuais ficam em algo que categorizo como: achismo.
Eu acho que, eu penso que, eu ? Eu afirmo, escrever não é fácil, expor o que se pensa com simplicidade, clareza, coesão, vai tempo, demanda exercício, curso, leitura, aprendizado, não basta querer escrever - é preciso ter essa predisposição inata.
Simples.
Antes de querer dizer que sabe, ESCREVA.
Autora: Priscila de Fátima Jerônimo
sábado, 12 de setembro de 2020
A VAIDADE E A VERDADE
Autora: Priscila de Fátima Jerônimo
Sobre os pequenos manuais de felicidades vendidos à preço justo e adequado, neste pequeno caminho em que doses de doçura são vendidos em potes de gente, não aceito esses pequenos detalhes que a vida impõe.
Amadurecer traz um novo paradigma: a velhice.
Não doí ter rugas e ou a pele envelhecida, não. Doí não ter mais as ilusões da juventude e ou a pureza de um olhar infantil, a maturidade chega com o coice de um burro e lá se vão os sorrisos inocentes e os olhares encantadores, chega-se a uma sensação estranha: a amargura.
Nem que a risada seja a mais pueril e o pulo o mais inocente, de repente de dentro de você, surge uma velha risada com aquele sarcasmo típico dos idosos: você está velha.
Escancaradamente as risadas dos jovens já se anunciam no pulo sem noção, nas cervejas, nas inocentes piadas que riem enquanto passamos: lá vai a velha.
Eu aceitei tranquilamente ser chamada de : Senhora.
Pensei milhões de vezes que envelhecer seria doloroso, que teria crises de meia idade, que seria um martírio, que as rugas, o "crec-crec" dos ossos seriam motivo de tristeza e bah, que nada.
Amo envelhecer e me olhar no espelho e não sentir saudades do que fui, da tola, da romântica, da inocente, da pueril, da imbecil, da maluca, reticências à parte ainda continuo: louca.
Esse delicioso adjetivo: a velha quarentona louca, melhor definição para minhas indagações, fazer quarenta e dois anos me deu uma noção do quão divertido é ser: velha.
Nem tudo no caminho do corpo humano é divertido, o coração já palpita meio cambaleante, as pernas dão um sinal claro de que algo está confuso, já tranço mais minhas canelas, meus dentes são amarelados, me esqueço facilmente do que estou fazendo, sinto faltas absurdas e medos inexistentes, a velhice me trouxe mais coragem, estranho não ?
A estranheza não reside na aceitação e sim na minha tentativa de explicar o processo cronológico que a vaidade vai trilhando, depois de tantos anos buscando ser bela, tendo a necessidade de andar arrumada, maquiada, pronta para seduzir e encantar, fui paulatinamente perdendo esse trejeito feminino. Um processo natural do envelhecer seria a tentativa inútil de anular o tempo, gastando dinheiro com processos de beleza, de retardar o inevitável e inexorável poder da putrefação.
Estado de células que vão morrendo e se apagando dentro do meu corpo, uma pele que recobre um esqueleto que se esmera em barganhar com a epiderme tentando não pinçar a coluna que reclama sem parar do peso da idade.
A naturalidade da beleza é ao meu modo peculiar de ver um deleite, um doce delírio de quem ama ser como se é, gosto de me ver na plenitude da vida, olho para meus olhos e sorrio, olho para minhas rugas e rio delas, penso no meu sexo e barganho com ele, em uma terrível batalha entre ser mulher, ser humano ou simplesmente ser vivo.
Existem poucas situações nesta encarnação que me trazem prazer, uma delas é escrever, esse terrível hábito adquirido em minha juventude me faz ter essa "persona", é gostoso dizer-me: escritora.
O senso comum me dirá, uma escritora fadada ao insucesso, de cá de minha loucura de vaidosa ao extremo grito: Para o inferno com a opinião do outro(a).
Escrever, dizer, contar, pensar, atos que me fazem feliz e quiçá a velha louca que reside em mim nunca me abandone, pois dela residem os mais deliciosos pensamentos.
Amo envelhecer.
sexta-feira, 12 de junho de 2020
Autora: Priscila de Fátima Jerônimo.
sexta-feira, 5 de junho de 2020
Eu ?
Só mar e poesia.
quinta-feira, 4 de junho de 2020
Quando o olhar luminous, me alcança
terça-feira, 26 de maio de 2020
O medo em
tempos de pandemia
Autora:
Priscila de Fátima Jerônimo
Qual o medo que te assombra nos
dias de hoje?
Qual a sombra do temor que ronda
tua cabeça?
Qual o preço da cura que não
possuímos?
Hoje, em plena época de uma
pandemia mundial que nos abraça o corpo e nos destroça a alma, buscamos
respostas que nos diminua a sensação de luto, a fé é sem sombra de dúvida um
escudo que usamos para nos proteger, nessa busca por sanidade mental frente à
este “monstro” que a falta de convivência social gera, nos enclausurando em
nossos lares, as relações “ao vivo”, o olhar face a face se transformou em
relações cibernéticas, um futuro que se mostra no presente, como algo viral que
nos reduz a meros dados gerados pelas comunicações via internet.
Esse meio de comunicação é o que
nos tem dado vazão e sentido para estes tempos, educamos para a modernidade,
entretanto esse “modo operantes” que as relações frívolas vão se desdobrando no
decorrer do tempo nos conduz para uma “loucura” por respostas.
As respostas chegam por meios
duvidosos, laboramos por um mundo justo, um mundo onde possamos novamente nos
confraternizar como outrora, pedimos ao tempo que nos poupe a “máquina humana”,
que não nos ceife a sanidade que anda beirando o surrealismo.
Quem imaginaria que em pleno ano
de 2020, estaríamos fadados ao isolamento?
Quem em sua mais louca imaginação
conseguiria vislumbrar um momento como este?
Quem em seu ofício de professor(a),
consegue administrar esse caos criativo e ainda assimilar suas próprias
sensações, suas emoções e seus medos frente a este cenário?
A fé que nos move nos conduz ao
estado meditativo, estados de consciência alterada buscando o encontro com o
divino, a gentileza nos atos, a bondade no olhar, a prece que erguida em
pedidos de amor, de compaixão nos blinda o corpo, que fatigado se reduz às
lágrimas de muitos.
Estamos vivendo em tempos de
guerra, em tempos de uma violência que se expressam em números de covas abertas
pelo descaso, mães lamentam a partida de jovens negros que se foram, lágrimas
de Mãe Preta, de Pai Preto que chora ao som da fome que ronca em barriga vazia.
A fome um estado natural do corpo
físico, a carência de nutrientes que dê ao humano a alimentação,que forneça
saúde, diante da necessidade de afeto, de vida, de amor, de ternura, qual o
preço da bondade?
Diariamente assistimos as mortes
do alto de uma consciência que nos permita repensar nossa postura diante da
vida, uma nova forma de encarar a humanidade, um déficit temporário que nos
impulsione em uma nova concepção de relacionamentos.
Os termos família, casa, filhos e
educação conjugados dentro de um confinamento mental, pais se desdobrando para
lidarem com a falta de dinheiro, com os filhos buscando respostas, com suas
próprias fraquezas e diariamente essa tortura têm deixado lacunas dentro dos
lares.
Qual o resultado de tanto medo?
Qual a reposta para esse tempo?
Qual a pergunta sem resposta que
minha mente não consegue mensurar?
Qual o valor da saúde que não
temos?
Perguntas sem resposta, por ora
somente a terra de cemitério grudada em meu sapato filosófico.
segunda-feira, 25 de maio de 2020
sábado, 23 de maio de 2020
EXÚ
O QUE TRANSFORMA AMOR EM REALIDADE?
O que o estado de amor
transforma as pessoas?
Estar em constante contato com
as esferas angelicais, um encontro com sua essência angelical, tocar e sentir a
profundidade de amor, de beleza, de estados de elevação de alma te conduzem ao
amor puro e devotado.
O que me faz mais completa
nesta existência?
O amor?
A Piedade?
A compaixão?
A Caridade?
Quais sentimentos emanamos de
dentro de nosso mais profundo ser, quais as sensações que o amor evoca?
O amor me fez ser mais
compassiva com a vida, mais complacente com o outro, mais paciente com minhas
dúvidas internas, com meu “eu” mais humano, na certeza de minha humanidade,
busco o encontro com a prática da poesia.
Um olhar romântico e poético
para a vida, a forma mais angélica que descubro o divino é através das rimas e
dos versos, em um lindo poema escrito à mão, com letras de forma desenhadas
feito coração que se desdobra em canção, em música.
Olho o infinito e percebo que
o “caos” existe e nele eu habito.
Em um grande caldeirão de
semente, águas de alfazema e pitadas de açúcar que nutrem meu corpo, minha
pele, meu amago.
Nesse fogo eterno que me consome,
me destroça por dentro e quebra dentro de mim todas as carapaças que fui
vestindo no decorrer de anos, inúmeras dúvidas abrigam puras certezas, minhas incontáveis vozes,
dormindo caladas entre escombros de um edifício chamado: Verdade.
A minha verdade não é
necessariamente a tua escolha e minhas dúvidas não te abraçam o ser, portanto
não negue a vida que te trouxe até aqui.
Não duvide do poder de um
coração repleto de lirismo, de doçura, de amor e de absurda fé.
A fé que me move é a mesma
força de vontade que me faz caminhar pelas veredas da Educação, um timoneiro
sendo guiado por minhas mãos.
Ergui minhas velas brancas e
gritei: “ Avante, marinheiro!”
Logo à frente tem um farol e
por ele consigo vislumbrar a praia, que de longe se faz de Cais, lá existe um
ser, acenando com um lenço branco, me dizendo volta, volta.
Olho silenciosa, abro uma
garrafa de rum e beberico no gargalo, brindando ao barulho que as ondas fazem
ao bater no casco do meu barco.
É tanto vento e tanta chuva
que mesmo molhada, com frio, cansada, ainda sorrio.
Ê, Mãe do Mar, sou uma simples
Capitã deste imenso barco que por horas parece pequeno e por outras vezes se
mostra como um grande navio negreiro cheio de sonhos enjaulados dentro de si, para
ecoar em um grito de dor e lamento, nas galeras de meu corpo, aportaram o
chicote e a chibata, o canto vem de longe, de Luanda, de Angola, da África que
se faz em minha fibra mais densa, sou uma corda, amarrada a um porão velho,
entre solavancos de dor e açoites de injúrias sigo, sou negra, sou mestiça, sou
indígena, sou mulher.
Calada nunca, sofrida algumas
vezes sim, mas em nada meu cais se perde, em nada meu fogo interno se apaga.
Sou o silêncio de uma anca,
sou o fogo de uma certeza, sou a renda de uma fábula, sou a mão pintada de
vermelho, as meias de cetim, o espartilho jogado no baú de delírios, sou a
noite mais densa e profunda, sou a lágrima escorrida entre meus olhos e os
cílios que se grudam de tanta maquiagem.
Sou o beijo do carmim que
deixei entre seu colarinho e seu pescoço, sou o perfume barato que insiste em
abrigar tuas narinas, sou o abraço de ondas feitas de desejo que a tua alma
negou, sou ela a te visitar – Yemanjá.
Dona de todas as cabeças,
senhora de toda a Criação.
Eu sou.
Eu fui.
Eu serei.
Onda.
Marola.
Ventania.
Mar.
Autora: Priscila de Fátima
Jerônimo.
23/05/2020
19:21










